Prefeitura paga R$ 35,3 milhões ao setor de transporte público e adiciona 41 ônibus à frota, mas empresa responsável por parte das linhas segue em recuperação judicial
Quem depende do ônibus todos os dias em Cuiabá tem motivo para prestar atenção nas últimas semanas. A Prefeitura anunciou a quitação integral de uma dívida de R$ 35,3 milhões com o setor de transporte coletivo, um passivo que se arrastava desde 2023 e que, em determinado momento, chegou a ameaçar a continuidade do serviço na capital. O pagamento foi feito com recursos próprios do município, sem contratação de empréstimos, e dentro do cronograma definido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Como resultado direto, 41 novos ônibus já foram incorporados à frota que circula pela cidade. A dúvida que fica para o cuiabano é simples e prática: essa regularização financeira significa, de fato, mais ônibus, mais pontualidade e menos superlotação, ou o problema no transporte público de Cuiabá está longe de ser resolvido? Para responder isso, é preciso entender a origem da dívida, o que muda no dia a dia e por que uma das concessionárias segue em situação delicada.
Como a dívida do transporte coletivo foi resolvida em Cuiabá
O passivo que a Prefeitura acabou de quitar não surgiu do nada. Ele tem origem na Ata Decisão da Mesa Técnica nº 10/2023, dentro do Processo TCE/MT nº 197.502-1/2025, e foi formalmente consolidado em abril de 2025, conforme informou a própria administração municipal. Na prática, o município acumulou débitos com as empresas concessionárias responsáveis por operar as linhas de ônibus da capital, e essa inadimplência chegou a colocar em risco a continuidade do serviço, já que as concessionárias alegavam dificuldades para manter a operação sem receber os valores devidos. Diante desse cenário, a Prefeitura e as empresas de transporte firmaram um acordo de parcelamento, mediado pelo TCE-MT, com início dos pagamentos em abril daquele ano.
Durante todo o período de execução do acordo, que se estendeu até junho de 2026, a gestão municipal cumpriu as etapas previstas sem registrar atrasos ou inadimplência, segundo a Prefeitura de Cuiabá. O secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, destacou que a quitação representa um marco na recuperação financeira do município e no fortalecimento do transporte público. À época da renegociação, o prefeito Abílio Brunini afirmou que os termos foram aceitos conforme a capacidade de pagamento do município e que, com o acordo fechado, o sistema seria restabelecido, com cobrança de melhorias na prestação do serviço pelas concessionárias. O advogado Ussiel Tavares, representante da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos, também participou das tratativas e afirmou que a solução evitou que a disputa fosse parar na Justiça, o que poderia ter alongado ainda mais a incerteza sobre o transporte coletivo na capital.
O que muda na frota e no atendimento ao passageiro
Para o passageiro que pega ônibus todos os dias, o efeito mais visível dessa regularização é o aumento da frota. Os 41 veículos novos incorporados ao sistema devem contribuir para reduzir o intervalo entre ônibus em algumas linhas e amenizar a superlotação em horários de pico, um dos problemas mais citados por quem usa o transporte público na capital. Segundo a Prefeitura, a quitação da dívida também trouxe mais segurança financeira ao sistema como um todo, criando condições para que as próprias concessionárias façam novos investimentos em manutenção e renovação de veículos, algo que fica mais difícil de sustentar quando há pendências financeiras em aberto com o poder público.
Ainda assim, é importante que o cuiabano entenda que a chegada de ônibus novos não resolve, sozinha, todos os gargalos do transporte coletivo da cidade. Questões como pontualidade, cobertura de bairros mais distantes e frequência em horários noturnos dependem de uma série de outros fatores, incluindo a gestão operacional de cada concessionária e a fiscalização feita pela Agência de Fiscalização e Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Município de Cuiabá, conhecida como Cuiabá Regula. Essa agência tem papel central justamente para acompanhar se as melhorias prometidas, como consequência do fim da dívida, realmente chegam à ponta, ou seja, ao passageiro que espera no ponto de ônibus todos os dias sob o calor da capital mato-grossense.
Por que uma das empresas ainda preocupa usuários e prefeitura
Apesar do avanço representado pela quitação da dívida, o cenário do transporte coletivo em Cuiabá não está isento de riscos. Uma das concessionárias que operam o sistema, a Caribus Transportes e Serviços, responsável por cerca de 24% das linhas da capital, deu entrada em um pedido de recuperação judicial, alegando dificuldades financeiras próprias, distintas da dívida que a Prefeitura tinha com o setor. Diante disso, a Cuiabá Regula notificou oficialmente a empresa, pedindo esclarecimentos e documentos sobre a situação, já que informações sobre o pedido chegaram à agência inicialmente pela imprensa, e não por comunicação direta da concessionária.
No ofício enviado à Caribus, a agência reguladora listou preocupações concretas: risco de redução da frota, interrupção de linhas, problemas de manutenção dos veículos, dificuldades de abastecimento e atraso no pagamento de obrigações operacionais essenciais para manter o serviço funcionando normalmente. A própria empresa, por sua vez, afirmou que, mesmo diante das dificuldades financeiras e de episódios como apreensão de ônibus, conseguiu manter a operação na capital. Esse cenário mostra que a solução da dívida entre Prefeitura e setor de transporte resolve uma parte importante do problema, mas não elimina todas as fragilidades do sistema, já que a saúde financeira de cada concessionária individualmente também influencia diretamente a qualidade do serviço oferecido à população.
Diante desse quadro, o morador de Cuiabá que utiliza o transporte coletivo tem motivos para observar os próximos meses com atenção. A quitação da dívida histórica com as concessionárias e a chegada de 41 ônibus novos são sinais concretos de avanço, especialmente depois de um período em que a paralisação do serviço chegou a ser uma possibilidade real. Ao mesmo tempo, a situação da Caribus mostra que o sistema como um todo ainda depende da saúde financeira de cada empresa que opera as linhas da cidade. Para quem depende do ônibus para trabalhar, estudar ou se deslocar pela capital, o recomendável é acompanhar os canais oficiais da Cuiabá Regula e da Prefeitura, que devem seguir divulgando informações sobre eventuais mudanças de itinerário, frequência das linhas e novos investimentos anunciados pelas concessionárias nos próximos meses.
Fontes consultadas:
Prefeitura de Cuiabá: https://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias/prefeitura-de-cuiaba-regulariza-divida-herdada-do-transporte-coletivo-e-aumenta-frota-de-onibus
Diário do Transporte: https://diariodotransporte.com.br/2026/07/13/prefeitura-de-cuiaba-mt-regulariza-divida-superior-a-r-35-milhoes-no-sistema-de-transporte-publico/
Olhar Direto: https://www.olhardireto.com.br/noticias/prefeitura-de-cuiaba-e-empresas-de-onibus-repactuam-divida-de-r-35-milhoes-com-mediacao-do-tce-mt
Plantão News: https://plantaonews.com.br/cuiaba-regula-cobra-explicacoes-de-empresa-de-onibus-apos-pedido-de-recuperacao-judicial/