Levantamento da Secretaria Municipal de Saúde mostra que quase 7 em cada 10 vítimas fatais no trânsito da capital estavam de moto, e quase um terço não tinha CNH
Um dado chama atenção de quem circula pelas ruas de Cuiabá diariamente: a cada dez pessoas que morrem em acidentes de trânsito na capital, quase sete estavam em uma motocicleta. É o que revela o Boletim Epidemiológico 2024 do Programa Vida no Trânsito, divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá. O documento, elaborado pela Coordenadoria Técnica de Vigilância Epidemiológica em parceria com a Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, traçou o perfil de 104 mortes registradas por acidentes na cidade em 2024. A pergunta que fica é inevitável: por que o motociclista continua sendo, disparado, a maior vítima do trânsito cuiabano, e o que pode ser feito para reverter esse quadro? O boletim traz pistas importantes sobre quem morre, como e por quê, informações que devem orientar políticas públicas de mobilidade e segurança nos próximos anos.
Quem são as vítimas fatais do trânsito em Cuiabá
Os números do boletim são categóricos ao apontar o perfil de quem mais morre nas vias da capital. Do total de 104 óbitos registrados em 2024, 69% eram motociclistas, um percentual que se mantém como o mais alto entre todos os tipos de vítimas há anos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Os pedestres somaram 15% das mortes, enquanto os ocupantes de automóveis representaram 9% dos óbitos, uma distância expressiva que evidencia a vulnerabilidade de quem se desloca sobre duas rodas. Além do meio de transporte, o levantamento também traçou o perfil de gênero das vítimas: 85% delas eram homens, um padrão observado em boletins semelhantes de outras capitais brasileiras e associado, entre outros fatores, a comportamentos de maior exposição ao risco no trânsito.
Outro ponto de destaque do documento é a habilitação dos condutores envolvidos nos acidentes fatais. Cerca de 30% deles não possuíam Carteira Nacional de Habilitação, o que sugere uma parcela significativa de motociclistas circulando sem a formação e o preparo exigidos por lei para conduzir com segurança. A análise também identificou o excesso de velocidade como o principal fator associado às mortes, presente em 30,8% dos casos e apontado como causa determinante em 12,5% das ocorrências investigadas pela equipe técnica. O coordenador de Vigilância Epidemiológica da Secretaria, Bruno da Silva Santos, afirmou que o boletim vai além de apresentar estatísticas, servindo como ferramenta para compreender o perfil dos acidentes fatais e subsidiar o planejamento de ações integradas entre saúde, mobilidade urbana e segurança pública.
O impacto para a rede de saúde e para quem vive na cidade
Cada acidente de trânsito grave não afeta apenas a vítima e sua família, mas também sobrecarrega toda uma estrutura pública de atendimento. O Hospital Municipal de Cuiabá, principal referência em urgência e trauma na capital, acompanha diariamente as consequências desses acidentes, recebendo vítimas que muitas vezes chegam em estado grave. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cada ocorrência mobiliza equipes multiprofissionais, leitos e centro cirúrgico, uma estrutura de alta complexidade que poderia estar disponível para outras urgências caso o número de acidentes fosse reduzido. Essa é uma das razões pelas quais o boletim ganha relevância que vai além da estatística fria: ele mostra o custo humano e operacional que o trânsito impõe à cidade.
A leitura desses dados também abre espaço para uma reflexão sobre a infraestrutura viária destinada aos motociclistas em Cuiabá, um grupo que cresce em número a cada ano, impulsionado pelo uso da moto como meio de trabalho, especialmente por entregadores e mototaxistas. Faixas exclusivas, fiscalização de velocidade em pontos críticos e campanhas educativas voltadas especificamente a esse público têm sido apontadas por especialistas em mobilidade urbana como caminhos possíveis para reduzir o número de vítimas nos próximos boletins. A conscientização sobre o uso correto de equipamentos de segurança, como capacete em bom estado, e o respeito aos limites de velocidade seguem sendo, segundo a própria Secretaria, as ferramentas mais diretas para começar a mudar essa realidade.
O que o boletim sinaliza para as próximas ações da Prefeitura
Divulgar um boletim epidemiológico sobre mortes no trânsito não é um exercício apenas estatístico, mas o primeiro passo de um ciclo que deveria se traduzir em políticas concretas de prevenção. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que as informações levantadas vão subsidiar o planejamento de ações integradas entre as áreas de saúde, mobilidade urbana e segurança pública, o que sugere que outras secretarias municipais devem incorporar esses dados em suas estratégias para os próximos anos. Para o cuiabano que utiliza moto para trabalhar ou se deslocar, entender esse cenário pode ajudar a reforçar cuidados básicos, como evitar excesso de velocidade e verificar a regularidade da habilitação antes de pegar a estrada.
O boletim também reforça a importância de campanhas de fiscalização e educação no trânsito acontecerem de forma contínua, e não apenas em datas simbólicas do calendário. Compreender que quase um terço dos condutores envolvidos em acidentes fatais não tinha CNH é um dado que aponta diretamente para a necessidade de reforçar a fiscalização sobre condução irregular nas vias da capital. Da mesma forma, o alto percentual de vítimas do sexo masculino sugere que campanhas de conscientização podem ganhar mais efetividade se forem direcionadas especificamente a esse público, com linguagem e canais que dialoguem com a realidade de quem mais está exposto ao risco nas ruas de Cuiabá.
Diante desse cenário, cabe à população da capital também assumir parte da responsabilidade na redução desses números. Pequenas mudanças de comportamento, como respeitar os limites de velocidade, usar corretamente os equipamentos de proteção e manter a documentação em dia, têm potencial concreto de salvar vidas nas vias da cidade. O boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde deixa claro que o desafio da segurança viária em Cuiabá exige ação conjunta entre poder público e sociedade, e que os próximos levantamentos poderão mostrar se as medidas de prevenção anunciadas surtiram efeito sobre esse perfil preocupante de vítimas.
Fontes consultadas:
Gazeta Digital: https://www.gazetadigital.com.br/editorias/cidades/boletim-aponta-que-motociclistas-representam-69-das-mortes-no-transito-em-cuiaba/852905
Minuto MT: https://minutomt.com.br/cidades/cuiaba/boletim-aponta-que-motociclistas-representam-69-das-mortes-no-transito-em-cuiaba/
O Documento: https://odocumento.com.br/motociclistas-concentram-69-das-mortes-no-transito-em-cuiaba-quase-metade-nao-tinha-cnh/