Uma pesquisa iniciada em outubro de 2026 vai analisar como o turismo de observação da onça-pintada movimenta a economia e influencia a vida das comunidades do Pantanal de Mato Grosso. O levantamento é conduzido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) e pelo WWF-Brasil, dentro do projeto “Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal”.
A proposta é identificar os efeitos econômicos e sociais de uma atividade que envolve diferentes setores do turismo de natureza. Entre eles estão hospedagem, alimentação, transporte, condução de visitantes e operação de passeios. O estudo também pretende mostrar como o dinheiro gerado pelos visitantes circula entre empresas, trabalhadores e moradores da região pantaneira.
De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, a área analisada tem aproximadamente 145 quilômetros e se estende entre a Estrada-Parque Transpantaneira e o Parque Estadual Encontro das Águas. O trecho é reconhecido pela presença de onças-pintadas e pela concentração de atividades ligadas ao turismo de natureza.
Pesquisa reúne informações de empresas e comunidades
A etapa aberta ao público começou em 13 de outubro e tem participação prevista até 9 de novembro de 2026. Entre os dias 18 e 22 de outubro, pesquisadores estiveram em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira para ouvir pessoas diretamente ligadas à atividade turística e à dinâmica econômica local.
Participaram das atividades presenciais moradores, guias, condutores, gestores públicos, hoteleiros, operadores turísticos e proprietários rurais. A variedade de envolvidos permite observar o turismo de onças sob diferentes perspectivas, desde a prestação de serviços aos visitantes até os possíveis efeitos da movimentação sobre as comunidades pantaneiras.
Além de calcular quanto a atividade movimenta, o levantamento busca compreender a distribuição dos recursos ao longo da cadeia. Essa abordagem pode ajudar a identificar quais segmentos são beneficiados pelo fluxo turístico e quais desafios precisam ser enfrentados para que uma parcela maior da renda permaneça na região.
Possível taxa de conservação está em avaliação
Outro ponto incluído na pesquisa é a disposição dos visitantes em contribuir com uma eventual taxa de conservação ambiental. O levantamento não significa que uma cobrança já tenha sido criada ou aprovada. A intenção, neste momento, é entender a receptividade dos turistas a um mecanismo que poderia ser discutido em futuras estratégias de financiamento da proteção ambiental.
A possibilidade de associar turismo e conservação é especialmente relevante em uma região cuja atratividade está ligada à fauna e às paisagens naturais. No caso da onça-pintada, a observação em ambiente selvagem depende da preservação do território e da manutenção de condições que permitam a presença do animal. Por isso, o estudo procura tratar a espécie também como elemento de uma cadeia econômica regional, sem afastar a necessidade de proteger o ecossistema.
O tema tem impacto para Mato Grosso e também se relaciona a Cuiabá, que funciona como importante centro urbano e porta de entrada para parte dos visitantes que seguem em direção aos destinos de natureza do estado. Os resultados poderão contribuir para o debate sobre modelos de turismo capazes de combinar geração de renda, participação comunitária e conservação do Pantanal.
Resultados devem ser apresentados em 2027
A previsão informada pelos responsáveis é que os resultados finais sejam entregues em março de 2027. Até lá, a pesquisa deve reunir dados da participação aberta ao público e das entrevistas e atividades realizadas em campo, formando um diagnóstico sobre o peso econômico do turismo de observação da onça-pintada na área estudada.
A página institucional da Sedec-MT também relaciona a iniciativa às ações voltadas ao turismo de natureza e à economia de Mato Grosso. A expectativa é que as informações ajudem órgãos públicos, empresas e comunidades a avaliar decisões futuras sobre infraestrutura, organização dos passeios, valorização dos profissionais locais e conservação ambiental.
Enquanto o resultado não é divulgado, a pesquisa oferece um retrato mais amplo do papel da onça-pintada no Pantanal. A espécie deixa de ser vista apenas como símbolo da biodiversidade e passa a ser analisada também como parte de uma atividade que envolve visitantes, trabalhadores, empreendedores e moradores. O desafio será garantir que essa valorização econômica esteja acompanhada de responsabilidade ambiental e benefícios distribuídos de forma mais equilibrada.