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Mato Grosso

Estudo mede quanto o turismo de onças movimenta no Pantanal de Mato Grosso

Por Redação Tribuna De Cuiaba 23 de outubro de 2026
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Onça-pintada camuflada entre a vegetação em seu habitat natural, em Porto Jofre, no Pantanal.

Uma pesquisa iniciada em outubro de 2026 vai analisar como o turismo de observação da onça-pintada movimenta a economia e influencia a vida das comunidades do Pantanal de Mato Grosso. O levantamento é conduzido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) e pelo WWF-Brasil, dentro do projeto “Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal”.

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Pesquisa reúne informações de empresas e comunidadesPossível taxa de conservação está em avaliaçãoResultados devem ser apresentados em 2027

A proposta é identificar os efeitos econômicos e sociais de uma atividade que envolve diferentes setores do turismo de natureza. Entre eles estão hospedagem, alimentação, transporte, condução de visitantes e operação de passeios. O estudo também pretende mostrar como o dinheiro gerado pelos visitantes circula entre empresas, trabalhadores e moradores da região pantaneira.

De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, a área analisada tem aproximadamente 145 quilômetros e se estende entre a Estrada-Parque Transpantaneira e o Parque Estadual Encontro das Águas. O trecho é reconhecido pela presença de onças-pintadas e pela concentração de atividades ligadas ao turismo de natureza.

Pesquisa reúne informações de empresas e comunidades

A etapa aberta ao público começou em 13 de outubro e tem participação prevista até 9 de novembro de 2026. Entre os dias 18 e 22 de outubro, pesquisadores estiveram em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira para ouvir pessoas diretamente ligadas à atividade turística e à dinâmica econômica local.

Participaram das atividades presenciais moradores, guias, condutores, gestores públicos, hoteleiros, operadores turísticos e proprietários rurais. A variedade de envolvidos permite observar o turismo de onças sob diferentes perspectivas, desde a prestação de serviços aos visitantes até os possíveis efeitos da movimentação sobre as comunidades pantaneiras.

Além de calcular quanto a atividade movimenta, o levantamento busca compreender a distribuição dos recursos ao longo da cadeia. Essa abordagem pode ajudar a identificar quais segmentos são beneficiados pelo fluxo turístico e quais desafios precisam ser enfrentados para que uma parcela maior da renda permaneça na região.

Possível taxa de conservação está em avaliação

Outro ponto incluído na pesquisa é a disposição dos visitantes em contribuir com uma eventual taxa de conservação ambiental. O levantamento não significa que uma cobrança já tenha sido criada ou aprovada. A intenção, neste momento, é entender a receptividade dos turistas a um mecanismo que poderia ser discutido em futuras estratégias de financiamento da proteção ambiental.

A possibilidade de associar turismo e conservação é especialmente relevante em uma região cuja atratividade está ligada à fauna e às paisagens naturais. No caso da onça-pintada, a observação em ambiente selvagem depende da preservação do território e da manutenção de condições que permitam a presença do animal. Por isso, o estudo procura tratar a espécie também como elemento de uma cadeia econômica regional, sem afastar a necessidade de proteger o ecossistema.

O tema tem impacto para Mato Grosso e também se relaciona a Cuiabá, que funciona como importante centro urbano e porta de entrada para parte dos visitantes que seguem em direção aos destinos de natureza do estado. Os resultados poderão contribuir para o debate sobre modelos de turismo capazes de combinar geração de renda, participação comunitária e conservação do Pantanal.

Resultados devem ser apresentados em 2027

A previsão informada pelos responsáveis é que os resultados finais sejam entregues em março de 2027. Até lá, a pesquisa deve reunir dados da participação aberta ao público e das entrevistas e atividades realizadas em campo, formando um diagnóstico sobre o peso econômico do turismo de observação da onça-pintada na área estudada.

A página institucional da Sedec-MT também relaciona a iniciativa às ações voltadas ao turismo de natureza e à economia de Mato Grosso. A expectativa é que as informações ajudem órgãos públicos, empresas e comunidades a avaliar decisões futuras sobre infraestrutura, organização dos passeios, valorização dos profissionais locais e conservação ambiental.

Enquanto o resultado não é divulgado, a pesquisa oferece um retrato mais amplo do papel da onça-pintada no Pantanal. A espécie deixa de ser vista apenas como símbolo da biodiversidade e passa a ser analisada também como parte de uma atividade que envolve visitantes, trabalhadores, empreendedores e moradores. O desafio será garantir que essa valorização econômica esteja acompanhada de responsabilidade ambiental e benefícios distribuídos de forma mais equilibrada.

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