Mayke Toscano

O secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, afirmou que Mato Grosso não vai perder R$ 1 bilhão com a troca do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo BRT (Bus Rapid Transit). A troca foi anunciada pelo governador Mauro Mendes (DEM) em dezembro de 2020 e não agradou o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB).

O secretário explicou que as intervenções feitas na cidade são aproveitadas pela população e que a compra dos trens comprados da CAF deverão ser devolvidos e a empresa terá de restituir Mato Grosso.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entrou na Justiça para obrigar a empresa a restituir Mato Grosso e levar os trens embora. Uma liminar já foi proferida pela Justiça de primeiro grau.

Gallo ressaltou também que a CAF é uma multinacional que fornece trens para mais de 70 países, portanto, tem capacidade financeira para cumprir a decisão judicial. Além disso, o valor de quase R$ 700 milhões, que serão corrigidos monetariamente, representa algo em torno de 150 milhões de euros.

Talvez não entre no [caixa estadual] ano que vem, entre daqui um tempo, mas quando entrar o governador que estiver sentado à mesa vai receber um recurso que vai poder aplicar em inúmeras outras coisas. É como se fosse uma poupança”, disse Gallo em entrevista à Rádio CBN.

TROCA DO MODAL

Essa é a segunda vez que o Governo do Estado troca o modal. Em 2011, quando havia o entendimento de que o melhor para Cuiabá e Várzea Grande seria o BRT, mas foi elaborado um laudo falsificado que apontava o VLT como uma opção mais viável. A troca ocorreu devido ao interesse do ex-governador Silval Barbosa e seu grupo de receber a propina de 3% sobre o valor das obras.

Já em dezembro de 2020, o governador Mauro Mendes anunciou a troca do VLT pelo BRT, por ser mais uma opção mais barata, além de ser mais fácil a expansão da capacidade de passageiros, ter implantação mais rápida e passagem mais barata. O preço estimado da passagem do VLT era de R$ 5,40 enquanto o BRT é de R$ 3,03.