O casal Marco e Samuel, contratados para trabalhar numa fazenda na região de Jangada (80 km da Capital), deixaram a vida na cidade de Indaiatuba, São Paulo, por uma oportunidade melhor em Mato Grosso, porém, foram expulsos da propriedade pelo simples fato de formarem uma família homoafetiva com o pequeno Spyke, um cãozinho adotado e criado como filho.

Marco relatou que foi contratado pelo gerente da fazenda para trabalhar na administração da fazenda e o marido aguardava oportunidade de trabalhar no maquinário na rotina da propriedade.

Ressaltou ainda que explicou ao contratante que é gay, casado com o Samuel e os dois pais do Spyke. O gerente teria aprovado a ideia e dito que seriam muito bem-vindos, principalmente, pois, desse jeito não precisariam ficar saindo da fazenda, já que a família estaria junta.

Com tudo acertado e, até então, emprego garantido, o casal vendeu todos os móveis da casa em Indaiatuba, já que a fazenda oferecia casa mobiliada para o funcionário e a família veio de ônibus para Cuiabá.

“Chegamos aqui às 4h de ontem, segunda-feira (03). Às 6h30 o gerente nos buscou na rodoviária, nos levou para a sede da fazenda, apresentou as dependências até que o proprietário chegou para conhecer o novo funcionário, momento em que descobriu que se tratava de um casal gay. Então virou para o gerente e reclamou questionando como poderia contratar um casal de ‘viado’ para a fazenda, pois, a religião dele não permitia esse tipo de coisa”.

Marco explicou que ouviu o proprietário da fazenda totalmente constrangido e que nesse momento o gerente, responsável pela contratação, ficou ‘sem graça’, conversou com eles e pediu ‘mil desculpas’, mas eles não seriam mais contratados.

Em seguida, o gerente levou o casal e o cachorrinho de volta à rodoviária para que eles voltassem para São Paulo, no entanto, Marco avisou que não tinham dinheiro para voltar, o funcionário deu R$ 50, avisou ser a única coisa que poderia fazer e abandonou a família no terminal.

Marco e Samuel tinham apenas cerca de R$ 400, o que daria para os dois irem de ônibus até Brasília, porém, não tinham como pagar a passagem do Spyke e abandonar o filho não é uma opção. Além de que após chegar em Brasília ainda iriam precisar arrumar dinheiro para os três seguirem para Goiânia, R$ 57 cada passagem, e depois até São Paulo, R$ 227,45 cada.

Ou seja, para conseguirem chegar em Indaiatuba com o cachorrinho o casal precisa de aproximadamente R$ 1.500.

“Peguei o celular e comecei a pedir ajuda para família e amigos, mas ninguém tinha como ajudar. Consegui falar com uma Assistente Social, mas ela disse que não tinha como fazer nada, pois, para eu ir para um abrigo até conseguir dinheiro para voltar para casa teria que abandonar o Spyke e eu não vou abandonar meu filho, ele é tudo para mim. Então estamos desde ontem aqui na rodoviária, onde dormimos sentados nos bancos”, relatou Marco.

Sobre o transporte do Spyke, Marco explicou que conforme uma resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o animal, dentro de uma gaiola, deve ocupar um banco do ônibus por isso a obrigatoriedade de uma passagem para o Spyke.

Ainda segundo a explicação, por se tratar de uma viagem de cerca de dois dias, a cada 12 horas de viagem, os donos devem dar 10h de descanso para o cachorrinho fora do coletivo.

“Eu não o abandono [Spyke], mesmo que passe fome ou mais o que for, mas eu não o deixo para trás. Ele é inocente, não entendo o que está acontecendo, não tem culpa”, disse Marco emocionado.

O casal relatou que tem consciência que passaram por preconceito e discriminação, poderiam acionar a polícia e denunciar o crime, mas optaram por não fazer isso.

“Meu Deus é maior, não vai ser justiça da terra que vai definir ele, ainda vai pagar pelo que fez e não vai ser comigo sentado num tribunal arrancando bens materiais dele que vou me sentir melhor. Só quero voltar para casa e recomeçar minha vida”.

Marco, Samuel e o Spyke pedem ajuda para conseguirem completar o valor que precisam para voltar para casa em Indaiatuba e recomeçar a vida.

Para quem puder ajudar com qualquer valor basta fazer uma transferência via para o Pix 12207428648, em nome de Marco Aurélio Ferreira.

Ou ainda transferências convencionais para a conta poupança do Marco.

Conta Poupança Caixa Econômica Federal

Agência 0897 / Operação 013 / Conta 000100618-5 – Marco Aurélio Ferreira

Marco e Samuel, que estão na Rodoviária de Cuiabá, pois, não tem onde ficar, pede que as pessoas que puderam ajudar entre em contato com eles pelo Tel.: (34) 98844-9755 – Marco ou (34) 99838-3324 – Samuel, ligação e WhatsApp, para que possam agradecer e contarem essa história.

Se quiserem entregar a ajuda pessoalmente é só irem ao Terminal Rodoviário que irão encontrá-los, pelo menos, até conseguirem seguir viagem.

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