Mato Grosso está no centro de uma discussão global que pouco é debatida por aqui. Somos o celeiro do Brasil, estado reconhecido pelas grandes lavouras e produção de commodities que fazem a balança comercial do país estar sempre positiva. Contudo, pouco se debate a questão climática e ambiental. Em meio a Cúpula de Líderes sobre o Clima, o assunto repercute como uma vaga questão que nada interfere a vida do mato-grossense comum.

Isso tem que mudar.

A situação ambiental de um país ou região tem efeitos a curto, médio e longo prazo e seus benefícios ou danos serão sempre sentidos. Explico. O efeito imediato é a qualidade dos meios de vida dos seres vivos, fumaça no ar causada pelas queimadas, assoreamento e poluição dos rios, contaminação de solos produtivos, e não para mais. É a população sentindo os efeitos físicos da má gestão ambiental.

Menos vista e levada em consideração apenas por parcela das camadas produtivas, o efeito a médio prazo é o enxugamento de investimentos externos no país e restrição exportações. Isso ocorre porque o custo ambiental está agregado ao custo de produção, logo, se você é negligente para produzir com custo menor o seu produto chega lá fora com o carimbo de desleal, prática essa denominada Dumping Ambiental. Esse tema vale por si só um artigo.

Por último, temos as consequências a longo prazo, prazo esse que já está contando há 2 séculos, após o início da industrialização no mundo. Veja, o aquecimento global e a escassez de recursos importantes para a vida é tema antigo e rendeu diversos planos e compromissos governamentais. Não estamos falando de um viés romântico comumente abordado no lema “o que deixaremos para os nossos filhos”, estamos falando de condições cada vez piores de sobrevida no planeta.

Esse custo a longo prazo já está sendo cobrado, seja ele na imputabilidade de grande parte da água do mundo, da diminuição da camada de ozônio, ilhas de plástico a deriva nos mares, queimadas que são visualizadas por satélites e não deixam de nos lembrar: estamos destruindo o único planeta possível de manter a espécie humana.

Compromissos não cumpridos são piores que a falta deles.

Políticas sem perenidade, estruturação e implantação responsável são mais negativas do que a ausência delas, visto que cria-se um relaxamento público quanto ao assunto e esvazia as pautas legislativas e executivas da urgência que devem ser tratadas.

Voltando ao cenário estadual, ao qual acompanho com mais intensidade, não precisa ser nenhum especialista para perceber que as queimadas no Pantanal, secas históricas, desmatamento recorde no mês de março/21 na região norte e a ausência de ações efetivas para solucionar esses problemas estão inteiramente relacionadas. O afrouxamento da fiscalização, a redução de verbas, equipamentos e pessoal nos órgãos de controle ambiental são incentivos em terras onde a lei ambiental não é tão lei assim.

Dado todo esse cenário, faço um questionamento: o que perdemos fazendo uma boa gestão ambiental, reduzindo todos esses danos e efeitos? A resposta é simples. Como estado e população não perdemos nada, só ganhamos. O que nos leva a conclusão que o bem estar social e coletivo não tá sendo a prioridade política em nosso país.

Isso tem que mudar.

Max Russi
Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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